Um mês de serviço depois, e a adaptação com os EPI's ainda não é das melhores. EPI's, Equipamento de Proteção Individual, não consigo acreditar como todos usam tudo isso sem reclamar. Para entrar na "Fábrica" é obrigatório o uso de óculos de proteção e protetor oricular, sem esses você não é bem vindo ao local. Dependendo do serviço feito nos vários setores que "lá" existem, o uso de bota com biqueira de aço já está relacionada, além de luva de raspa ( não me pergunte porque de raspa, não achei até agora uma explicação), que é muito grossa deixando quase que inútil os movimentos da mão, avental de raspa( é claro que é do mesmo material da luva), só com os dois eu fiquei parecendo um açougueiro, mas como fui encaminhado para a montagem e solda de peças, ainda tinha o capacete de soldador, a touca de soldador e a máscara de soldador ou respirador como chamam "lá". O capacete é gigante e pesado, além de ser todo preto com um espelhinho fume para a visão na hora da solda. Muito parecido com o Robocop ou indo um pouco mais longe, chegando lembrar um Darth Vader de buteco. Com a luva, a bota, o respirador, o óculos, a touca, o saco cheio, o avental e mais toda a temperatura ambiente, meus óculos de hora em hora embaçava.
O ar na Fábrica é muito carregado pela poeira de lixadeiras trabalhando sem parar e de fumaça saindo de soldas. Em minha primeira investida na carreira de soldador, já que estava todo uniformizado, aquilo realmente me animou, até me senti um daqueles doidos. A peça estava lá, a máquina de solda também e eu com toda aquela parafernálha no meu corpo, não pensei muito e parti para a minha primeira solda. Quando a fumaça subiu passou pelo capacete, que passou pelo óculos, que passou pelo respirador. Pronto estava impreguinado com o cheiro de aço queimado e outros gases que fazem um bem danado para a saúde do peão. O espirro foi tão rápido que não deu tempo nem de se mexer.
"- Atchim!".
Sempre quando espirro tampo com a mão para que não espirre em ninguém, mas nunca tive a coragem de cheirar a mão depois disso. O espirro inteiro estava no respirador, a mistura de podre de lata de lixo com vírus era a salada que eu sentia. Aquele respirador já não dava mais para usar, e a vontade de soldar passou na hora. Que encrenca fui me meter. Precisava ir ao banheiro.
Corro para me dissipar daquele fedor, e lá me vejo no espelho. Com toda aquela fantasia, percebi que ainda faltava um cachorro pulando no meu braço. Porra, eu estava parecendo um adestrador de cães sanguinolentos. Aquelas luvas! Não demora muito e não estou mais sozinho no banheiro, ficar me namorando no espelho pode causar outra impressão, saio a procura de outra máscara e volto para a minha nova rotina de trabalho. Não reclamar é preciso. Estou ótimo, nunca estive tão feliz profissionalmente.
texto de Fernando Thadeu Fonseca dos Santos
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sexta-feira, 1 de agosto de 2008
domingo, 15 de junho de 2008
"Strikinik my brother Fábrica"
O primeiro mês passou. Nos quinze dias iniciais fiquei na área onde eles chamam de "montante". Junto com o Non, o Edy e o Fubá. O Edy é o regueiro, depois de alguns dias de almoço e trabalho juntos percebi que ele me lembra muito uma das hienas do filme Rei Leão. A mais engraçada por sinal com a lingua de fora e os olhos meio tortos. O Fubá foi o rapaz da cozinha que entrou junto comigo, tenho o costume de chamar os outros de Fubá, de Shevchenko, de Striknik-mybrotherCharlie( esse apelido bem considerável por sinal). O Non acabou não pegando, e o Fubá gentilmente arrumou um apelido mais formal. Agora Non é Frank, ou Frankenstein para os íntimos.
Não tenho nenhum apelido, mas gosto de colocar nos outros. Sem fazer por maldade ou coisa parecida, acaba sendo natural. Alguns até gostam dos apelidos dados por mim, mas outros nem tanto. Lembro do meu amigo da faculdade que depois de uma noite de cervejas e papos só de homens, nós fizemos uma aposta na qual se ele perdesse o chamaria de Pipi até o final do curso. Para sua sorte eu tranquei meu curso, mas o pessoal o chama de Pipi até hoje. Aposta é aposta.
Muitos na fábrica já até tem os seus apelidos, como o Kiki, Bróz, Baseado, Barro-cru, Índio, He-Man, Maravilha ( esse inclusive fica para mais tarde), Xuxa, o Estrovenga, Vovó mafalda e vários outros. Tirando os Pernanbucos e Cearas que sempre tem em algum lugar. Mas Estrovenga foi o que mais me chamou a atenção. Da onde veio toda essa imaginação de chamar alguém de Estrovenga? E o que isso significa? Quando perguntei sobre o interessante apelido, obtive a resposta de que ele é um cara muito estranho. E é mesmo, que chegaram a fazer uma mistura de estranho com Havengar. Pelo menos foi isso que imaginei. Não pode ser outra coisa!Estrovenga!?!? Que isso meu?
Mas como disse da primeira vez, personagens são o que não falta. Perto da garrafa de café, um senhor trabalhava em uma máquina grande que corta chapas. Quando tirou sua máscara de solda, me deparei com o Mel Gibson de cabelo curto, mais próximo de sua atuação em Payback( O Troco), peguei meu café e fiquei analisando a estrela ao meu lado. Ele percebeu minha avaliação e me comprimentou. Os movimentos todos a seguir só serviram para perguntar se ele era ou não o cara. Com todo aquele barulho ele me respondeu como quase todos ali.
- O QUÊ?
- Nada não, já achei.
- Ha.
- Falou!
- É!!!
Escapei por pouco, mal entrei e já estou quase arrumando confusão. Melhor deixar essas análises no pessoal mesmo e passar aqui para o Blog sem dizer nada. Já pensou se ele chama o seu parceiro de Máquina Mortífera 1, 2, 3, 4, M.M. Eternamente, M.M. reload, M.M. retroceder nunca render-se jamais, M.M. contra o Baixo Astral, e todos M.M. da sequência? Aff!
texto de Fernando Thadeu Fonseca dos Santos
Não tenho nenhum apelido, mas gosto de colocar nos outros. Sem fazer por maldade ou coisa parecida, acaba sendo natural. Alguns até gostam dos apelidos dados por mim, mas outros nem tanto. Lembro do meu amigo da faculdade que depois de uma noite de cervejas e papos só de homens, nós fizemos uma aposta na qual se ele perdesse o chamaria de Pipi até o final do curso. Para sua sorte eu tranquei meu curso, mas o pessoal o chama de Pipi até hoje. Aposta é aposta.
Muitos na fábrica já até tem os seus apelidos, como o Kiki, Bróz, Baseado, Barro-cru, Índio, He-Man, Maravilha ( esse inclusive fica para mais tarde), Xuxa, o Estrovenga, Vovó mafalda e vários outros. Tirando os Pernanbucos e Cearas que sempre tem em algum lugar. Mas Estrovenga foi o que mais me chamou a atenção. Da onde veio toda essa imaginação de chamar alguém de Estrovenga? E o que isso significa? Quando perguntei sobre o interessante apelido, obtive a resposta de que ele é um cara muito estranho. E é mesmo, que chegaram a fazer uma mistura de estranho com Havengar. Pelo menos foi isso que imaginei. Não pode ser outra coisa!Estrovenga!?!? Que isso meu?
Mas como disse da primeira vez, personagens são o que não falta. Perto da garrafa de café, um senhor trabalhava em uma máquina grande que corta chapas. Quando tirou sua máscara de solda, me deparei com o Mel Gibson de cabelo curto, mais próximo de sua atuação em Payback( O Troco), peguei meu café e fiquei analisando a estrela ao meu lado. Ele percebeu minha avaliação e me comprimentou. Os movimentos todos a seguir só serviram para perguntar se ele era ou não o cara. Com todo aquele barulho ele me respondeu como quase todos ali.
- O QUÊ?
- Nada não, já achei.
- Ha.
- Falou!
- É!!!
Escapei por pouco, mal entrei e já estou quase arrumando confusão. Melhor deixar essas análises no pessoal mesmo e passar aqui para o Blog sem dizer nada. Já pensou se ele chama o seu parceiro de Máquina Mortífera 1, 2, 3, 4, M.M. Eternamente, M.M. reload, M.M. retroceder nunca render-se jamais, M.M. contra o Baixo Astral, e todos M.M. da sequência? Aff!
texto de Fernando Thadeu Fonseca dos Santos
segunda-feira, 19 de maio de 2008
"A Fábrica"
- E então? Você aceita?
- Claro! Tenho certeza que conquistarei meus objetivos, a partir do momento em que as oportunidades aparecerem.
Pronto, estou empregado. Senti um pouco de dúvida no olhar do encarregado do setor, até disse que iria me cobrar do que eu falava. Mas estou pronto.
Parto para a integração, um discurso de segurança no trabalho, estórias de lesões macabras, quedas de escadas, amputações de dedos entre outras. Nossa será que eu disse que aceitava mesmo esse emprego? Parece uma trilogia do Hostel. Meu Deus!
Depois de muito sangue, algumas risadas sem graça e comentários sem nexo, sigo para conhecer a "fábrica". Integrações de empresas nunca são atrativas. Mas fico impressionado mesmo é com a grandeza da "fábrica". Meu parecer se resumi em Gigantesca( pra não dizer monstro). De cara sou colocado para trabalhar com três doidos. Um só fala de reggae, já logo entendi que fuma um baseado do caramba. O outro é meio alterado, quando não acato aos seus ensinamentos primitivos, noto conversas com ser nenhum. Ele fala sozinho. E por último o grande Non. O cara é idêntico, até parece que saiu do filme do Superman 2. Mas é muito gente boa, assim como o regueiro.
No almoço começa a seção de horror, ou de piadas, sei lá. É um mais estranho que o outro. Personagens de cinema são vários, imagino um Ridley Scott por aqui, ou um Tarantino. Os caras estariam em um oásis de figuras cinematográficas.
E pensar que esse foi só o primeiro dia, mas a partir daqui começa um resumo semanal, mensal, sei lá, dependendo do meu humor sobre os causos vividos na "fábrica".
- Claro! Tenho certeza que conquistarei meus objetivos, a partir do momento em que as oportunidades aparecerem.
Pronto, estou empregado. Senti um pouco de dúvida no olhar do encarregado do setor, até disse que iria me cobrar do que eu falava. Mas estou pronto.
Parto para a integração, um discurso de segurança no trabalho, estórias de lesões macabras, quedas de escadas, amputações de dedos entre outras. Nossa será que eu disse que aceitava mesmo esse emprego? Parece uma trilogia do Hostel. Meu Deus!
Depois de muito sangue, algumas risadas sem graça e comentários sem nexo, sigo para conhecer a "fábrica". Integrações de empresas nunca são atrativas. Mas fico impressionado mesmo é com a grandeza da "fábrica". Meu parecer se resumi em Gigantesca( pra não dizer monstro). De cara sou colocado para trabalhar com três doidos. Um só fala de reggae, já logo entendi que fuma um baseado do caramba. O outro é meio alterado, quando não acato aos seus ensinamentos primitivos, noto conversas com ser nenhum. Ele fala sozinho. E por último o grande Non. O cara é idêntico, até parece que saiu do filme do Superman 2. Mas é muito gente boa, assim como o regueiro.
No almoço começa a seção de horror, ou de piadas, sei lá. É um mais estranho que o outro. Personagens de cinema são vários, imagino um Ridley Scott por aqui, ou um Tarantino. Os caras estariam em um oásis de figuras cinematográficas.
E pensar que esse foi só o primeiro dia, mas a partir daqui começa um resumo semanal, mensal, sei lá, dependendo do meu humor sobre os causos vividos na "fábrica".
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